Liberdade

Liberdade

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O porquê

     
   À Yasmin.

        Um dia uma menina vai lhe perguntar o porquê. Aquela singela pergunta que implica entender como você veio a se tornar o que é. Não posso afirmar que será tua filha, na verdade as meninas tem uma curiosidade aguçada, uma necessidade de ter a porta aberta para desbravar mundos sem precisar de muita formalidade para isso, sequer precisam intimidade ou laços sanguíneos para sentirem vontade de procurar coelhos em cartolas mágicas. 
         Quando você se sentir desafiado irá olhar em volta e sentir a incrível necessidade de não mentir. Seu cérebro será invadido por um turbilhão de imagens e não será fácil explicar porque terá mais do que possa processar. Haverá movimentos, cheiros e sons que serão difíceis de imprimir para improváveis hospedes já que só você sentiu com aquela intensidade como cada um desses impulsionadores de sentidos te influenciou através dos anos. E mesmo sem saber como iniciar não pense em desanimar calando se, pois ela não vai adiar essa conversa, pois garotas são insistentes a mesma medida que transportam doçura.
         Você pensará em falar das estrelas, de como era fascinante olhar para elas e de como era preciso segurar a vontade de apontar para o céu com medo de castigos infantis. Talvez fale das canções que ouvia com os amigos quando a aula terminava mais cedo e você e eles não queriam voltar para casa. Vai citar nomes de pessoas que transformaram a vida uma grande aventura, pessoas que teve a honra de chamar de amigos, uns nem veja mais, outros são tua companhia ainda e sem que consiga controlar irá sentir saudade das bobagens que os faziam sorrir. Você tentará omitir sobre a fria sensação que sentiu dando passos voltando para casa as 19hs quando na verdade sabia que não havia mais para quem voltar. Instantaneamente lembrará das promessas quebradas e das vezes que seu coração foi partido e que você bem soube concertar mesmo jurando que não conseguiria. Quem sabe até fale da época que Deus era um sujeito que costumava conversar mesmo tendo dentro de si todas as duvidas que fez parar de puxar assunto com ele. Mas e se esquecer de algo? Umas cartas? Uns copos vazios? 
          Se tudo que despejar sobre si mesmo não for tão interessante quanto a odisseia de um rei em busca de seu reino? A Senhorita Curiosidade poderá não entender, não estava lá quando seus amigos eram teu ombro e tua lucidez e por mais que ela leia tudo que escreves não poderá respirar a essência que emanava daqueles dias, os dias em que tua juventude era tudo o que tinha. E no fim adentrar uma outra mente sempre é confuso em demasia. Ha o perigo do ouvinte se apegar as pessoas, aos heróis já mortos. E se ela se apaixona pela boêmia contida ali? O que fazer se já não existir mais a mesma rota de fuga ou se quem for apresentado a ela não existir mais em você?
            Um dia meu bem, haverá tantos motivos para você ser quem é que nem uma tarde inteira conseguirá suportar suas histórias e seus risos. Aquele riso carregado por todos os sons das vozes de quem já sorriu perto de ti. Um dia talvez você transfira um pouco do que aprendeu quando descobriu com o passar dos anos que importante é não desejar muito, que objetos não são valiosos porque são as pessoas que fazem lembranças que preenchem memorias que dão luz as nossas vidas. Ah e se tiver a atenção de alguém o faça entender que riquezas ou grandes sonhos não trazem felicidade e que as conversas são onde ocorrem as mais belas trocas da humanidade. 
             Então quando lhe fizerem uma pergunta sobre os motivos de ser quem é, faça um favor a sí mesmo dando tudo que pode, menos o silencio. O silencio em uma situação como essa seria uma negação a toda beleza contida em tua vida e independente do que houve, nós sabemos: foi belo.


“E essas memórias perdem o sentido
Quando eu penso em amor como uma coisa nova
Embora eu saiba que nunca vou perder o afeto
Por pessoas e coisas que vieram antes
Eu sei que, com frequência, eu vou parar e pensar nelas.”

In my life, The Beatles


A musica mais doce de retrospectiva de todos os tempos.
Fiquem com In my life e até 2015!





terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Agonia



Tem um pedaço de vidro em meu coração.
Que me machuca e enlouquece a cada batida.
Faz de todo meu corpo uma inteira ferida.

Tem um pedaço de vidro em meu coração.
Ele afunda quando é fundo meu respirar
É um golpe do qual não vou desviar.

Tem um pedaço de vidro em meu coração
Fere. Rompe. Faz sangrar
E mesmo que eu tente não posso arrancar.

Quisera eu dissolvê-lo em meu sangue.
Quisera eu ser somente razão.
Mas aqui sigo refém da minha própria inquisição.

Tem um pedaço de vidro em meu coração...
Nem sei porque te conto se você não sabe o que é ter um.


Cristina Braga

domingo, 7 de dezembro de 2014

Deuses

As palavras tem asas
Voam para longe quando não acompanham o compassar desse coração desgastado.
Elas se lançam ao silêncio com tamanha pressa que eu não consigo alcançar nenhuma.
Coloco um sorriso para decorar esse rosto.
Logo estamos frente a frente sem ter muito o que dizer um ao outro.
Um amigo me disse que o fundo do poço é um lugar incrível para estar.
Que as possibilidades emergem dos finais.
Eu sorri, mas devia ter feito o tempo parar naquele instante.
Os amigos são deuses.
Vejo uma mitologia completa feita deles.
Suas virtudes e suas falhas são edificantes.
Na vida real que dividimos
sempre ha alguém sendo salvo,
sempre há um coração em jogo,
mas lá estão eles cumprindo seu papel.
Nós devíamos fugir dessas amarras... elas doem e me envergonham
porque eu mesma as amarrei.
E mesmo estando um inteiro caos
o céu continua lindo,
e eu mal consigo respirar,
mas não há poeira ou qualquer artifício.
É só minha falta de habilidade em viver.
Sou dessas que dizem o que não pode ser dito.
Do tipo de gente que vai perder muitas vezes.
Vou esperar segurando um copo meio cheio
do vinho mais barato da cidade,
não preciso de garrafas caras
para escapar a sanidade.
Eu, diferente das palavras não tenho asas.
Mesmo que tivesse não sei se iria para muito longe.
Nessa tragédia grega eu busco romper meus limites.
enquanto alguns estão infectados
pelo vírus da normalidade.
Quem sabe possamos ser deuses um para o outro.

Cristina Braga

domingo, 9 de novembro de 2014

Melodia

Vou lhe falar que o vi e não havia nada ali.
Nenhuma lei de atração que desafiasse a física.
Nenhum trovão invadindo o silêncio em meu coração.
Na única vida que tenho eu sinto que me libertei.
Vou lhe falar que todos os sonhos foram despertos
Que as lágrimas não tem recanto em meu rosto.
Que a inspiração que esvai de mim não emana dos seus olhos nublados.
Vou lhe falar que sobrevivi as incontáveis taças vazias. 
Que descobri que a solidão é minha dádiva.
Que há um espelho rachado pendurado em escombros dentro de mim.
Vou lhe falar que a noite me pertence, meu bem.
Que vou mergulhar de cabeça antes que eu desapareça por completo como nós desaparecemos.
Talvez minha essência era vulnerável demais para tua superioridade congelante.
Não havia como nos proteger contra nós mesmos, não é?
Vou lhe falar que hoje tu tens tudo a disposição: o universo, o caos enquanto eu tenho a mim.
Sou a garota em seu melhor vestido e irei dançar.
Depois da tontura, da dor e de toda reclusão.
Depois do medo e das cores desbotadas aqui sigo a diante...
Em vermelho vivido.
Toquem a canção para meu fim
Toquem a canção para um recomeço
Seja o que for não lhe digo mais nada, ouso apenas sentir o quão doce é minha nova melodia.


sábado, 18 de outubro de 2014

Energia


Pegadas na lua, mãos em cimento.
Muitas estatuas, muitos espelhos.
Da Grécia antiga à capas das revistas.
Será o homem, a mais linda de todas as criaturas ou seremos capazes de olhar
o que está em volta e reverenciar a verdadeira beleza?
Nos erros mais graves uma certeza de amor imaculado,
como se estivéssemos suspensos enquanto o bem e o mal guerrilham.
como se pudêssemos fazer sangrar e não merecer ter nosso sangue derramado,
Ah que grande invenção é o perdão,
porém a conivência com o mal não cai bem aos deuses.
Na era da tecnologia decaptam homens frente as lentes.
Carcaças em movimento são a evolução humana no continente Africano.
As atrocidades são nossa rotina.
Cada estomago vazio, cada novo escravo, cada vida interrompida...
No poder estão pessoas com corações atrofiados
Lá fora e aqui dentro a indignação me grita.
E eu me pergunto porque...
Por todos os confins da terra presas nas cavernas a ecoar para sempre estão as perguntas que não achamos respostas.
Não há sinais, não há ajuda...
A verdade é dura, mas absoluta: Nós morremos sozinhos.
Viver consiste em despedidas por segundo.
Viver consiste em não se prender a materialidade perecível.
E se temes o fim, desperta!
A morte é mais dolorosa para quem fica do que para quem vai.
Quem ama revive a morte de quem o deixou todos os dias como uma maldição.
Ela só será quebrada em seu próprio fim.
Não reconhece Julieta abrindo mão de sua maldição ao ver seu pobre Romeu?
Um dia quando a ultima folha cair sobre a terra não restará nada sobre os humanos.
Nenhum Shakespeare escrito, nenhum Lennon a se ouvir.
Ninguém lembrará teu riso ou herdará teu andar e mesmo que isso te faça se sentir só
Por todos os lugares desse vasto planeta haverá vida além de ti
e não há nada mais puro que a valorização da beleza além do cárcere do egoismo.
As bandeiras sumirão assim como os soldados.
As armas serão enterradas e encobertas por novas vegetações.
Nem mesmo aqueles que alcançarem elevados níveis de consciência
encontrarão uma eternidade, pois, meu querido:
-A eternidade é efêmera,, assim como tudo que existiu e que ainda irá existir.
Nós voltaremos a condição que nos é própria...
Nós voltaremos a ser energia.

Cristina Braga



"O universo não foi feito à medida do ser humano, 
mas tampouco lhe é adverso:

 é-lhe indiferente. " 
- Carl Sagan



sábado, 11 de outubro de 2014

O segredo




Houveram noites intensas, eu bem lembro.
Lá onde a espontaneidade  e os sorrisos nos rodeavam
Eu o via e era fácil saborear as palavras escorrendo de sua boca.
Em nossos hálitos o doce vinho barato nos embebedava
No olhar brilhante de todos havia o idealismo decadente e insano...
Ah a sanidade não significa nada para mim
e todos os meus amigos são loucos de uma forma verdadeiramente boa,
mesmo fingindo não se importar, 
eu sinto o amor escondido em seus não dizeres.
Será que não vêem quanta sensibilidade emana de suas armaduras?
A combinação de nossos fracassos é adorável,
me permite dormir a noite e até a voltar para lá em sonhos.
Diante de tudo que está oculto nos nossos dias contados
tive a sorte de me apoiar em seres ricos em humanidade,
Eu que sempre escolhi pela solidão segui em frente
até que trilhando meus caminhos errados encontrei seres com corações certos.
Como não torcer por alguém que se tivesse força mudaria o mundo?
Como não sentir a ausência pálida e fria de quem tu chamas de amigo?
Devíamos nos encontrar um dia desses,
pois eu sei teu segredo: a liberdade pousou dentro de tí!
Deixe-me te contar as ultimas,,,
E contagiosamente me sentir livre também!

"A liberdade é um pássaro azul que Bukowski conhecia muito bem!"



Aqui o poema Blue Bird de Charles Bukowski legendado 
que me faz lembrar dos meus amigos durões.

Cristina Braga

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Paraíso

Um impulso e meu batom está marcando teus lábios.
Não me apresentei, não partilhei meus sonhos.
Assim te quis, assim te fiz meu.
Toques de pura lasciva...
Na noite em que chorosa celebrei ao fim
Uma nova dimensão se abriu ao passar por ti.
Misturei desejo ao amargo e obtive doçura.
Era mais uma garota a aparecer naquela noite de março.
A única que iria roubar teu fôlego em setembro.
Tal como um raio corta a tempestade.
Tal como eu consigo ser leve e louca ao mesmo tempo.
No ano em que estive mais atenta as estrelas,
me fizestes admirar o que está contido aqui ao meu alcance.
Essa minha raridade dança com a tua e não me deixa tonta.
Me encontre com seu olhar sério ao fim de um beijo.
Me conte sobre suas aventuras e sobre sua fé invisível,
devo te convidar ao concreto e ao inevitável precipício.
Dono de passos calculados enamorou-se da dona de uma natureza nômade.
Como não te fazer sorrir ao emergi-lo em meus devaneios?
Como não me sentir segura perdida em tua serenidade?
Me dê inúmeros primeiros beijos,
te dou minhas cores e pinto os cômodos da tua vida.
Quero-te como quem segura seu ultimo sopro.
Quero-te como quem quer se manter aquecida na noite fria.
Ah, querido o paraíso é teu riso refletido em meus oceanos castanhos.
Fica e me deixa ser contigo...
Partícula em ascensão!



Na foto Debbie Harry e Chris Stein da banda Blondie

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Luzes



Caminhos na madrugada anunciados por gritos e canções.
O som das risadas se misturam a uivos.
Os seres sem destino domam as madrugadas.
São senhores dos desejos e pensamentos profanos
Ah, por esses homens entregues a insanidade moral, eu grito:
-Mais vinho! Mais vinho!
Os bêbados da noite possuem uma lucidez rara.
Deem a eles um segundo de seu tempo e lhe conquistarão.
Por mais um olhar estará admirando os anti-heróis da historia.
Os possuidores de grande incandescência ironizam o bem e o mal
Seduzem com sua rica filosofia e charme barato
e assim como a brisa desordena os vestidos das belas damas, são todos eles.
Ágeis, infames, delirantes.
Substituíram a decadência pela fraternidade.
-Eu quero me sentir livre!
-Eu quero ser igual a ti!
O povo clama por ideais emanado deles.
Vejam as luzem que cintilam de suas idéias,
As luzes são mais intensas que o brilho a refletir de seus copos.
Pegue uma moça e a faça girar durante uma canção.
Libertinos nunca vão para a cama sozinhos
Estão sempre recriando mundos
e descobrindo peles frescas e macias.
Se fazem homens lendo grandes pensadores,
sem dificuldade se revelam grandes questionadores.
Deite-me e me deixe a luz da tua poesia.
Recita-me! Recita-me!
Antes que o vento que sopra pela janela apague as velas desse quarto.
Antes que tentem nos fazer voltar as Trevas
e os Monarcas façam de tudo estrume.
Inspira-me! Inspira-me!
Antes que o Clero retome o controle de suas cordas.
mas, ouçam todos os leigos:
-Quem teme a luz, teme a vida e nós amamos cada centímetro de tudo que inspira vida!
Para uns somente boêmios, para outros disseminadores de esperança...
Vejam quantos de nós sonhamos juntos.
Seja nos bordeis de toda a França, seja nas praças repletas de gente.
O perfume da mudança percorre o chão e ultrapassa as fronteiras.
Vencem a distancia e a passagem dos Séculos.
Avante!

Iluminem-se!

Cristina Braga

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

FRIDA

Eu tenho essa tendência a amar aquilo que me consome.
O que está prestes a acabar me seduz
e nesse mundo estranho que criei,
sinto que posso desaparecer em alguns segundos.
Essa sensação me toma em toda volta para casa.
É quando me pergunto o que pensam as vitimas que tem seus últimos segundos na terra em completo horror e me compadeço dessa dor alheia...
Como se dividir comigo pudesse aliviar mais o que sentem
Como se eu pudesse fazer algo por esses seres sem sorte,
mas estou aqui presa nos intervalos dos ponteiros.
Não estou sendo torturada, nem despedaçada feito uma rosa.
Não sou sua Frida, não sou seu paraíso.
Somente uma mulher comum com pássaros negros a cortar o azul do céu
Te dando adeus enquanto sorri!
Você não sabe o que se esconde em gestos pequenos.
Não sabe o que pode caber dentro de ti se não explorar...
E por todos os lados pessoas estão tentando ser salvas,
Eu só tento estar aqui...plena
Não acredito em milagres, nem em dragões invisíveis.
Minha religião é a valorização da beleza em cada segundo.
O resto é a falibilidade da mente humana.
Tantos neurônios a se combinar ao conhecimento.
Como posso ser cúmplice de uma farsa milenar?
Eu não preciso disso, pois amo...
E o amor que sinto ultrapassa o tempo e a decadência,
supera todo o mal que contaminou gerações.
Torna possível a paz, torna possível a vida...
Todo o amor que emito
é a única redenção que preciso!

Cristina Braga



segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Gaza: Um sonho de liberdade



São quase duas da manhã, luzes apagadas, silêncio por toda parte menos aqui na minha mente. Eu revisito algumas cenas do dia, relembro o que devo fazer sem falta na manhã seguinte e de repente como quem toma um susto eu penso nas crianças que não dormem. Insônia causada pelo barulho das bombas e constato que o mundo não é um lugar seguro para inocência. Essas crianças não tem direito a ter endereço, moram em favelas. Não conhecem o mundo além do cinza onde nasceram, mas devem colorir com a imaginação a estreita Palestina. Suas asas foram cortadas já no ventre, pois é proibido voar ou assim deve parecer quando ouvem que ninguém entra ou sai da faixa de Gaza a não ser que seja autorizado previamente. Acontece vez em quando para pessoas que exercem serviços humanitários na Palestina, mas não para habitantes comuns, a não ser que precise de tratamento médico especializado que não existe lá, aí acontece a remota possibilidade de sair. Portanto além da dificuldade normal soma-se a cobrança para não adoecer.
Na dura realidade desses meninos e meninas existe a adaptação a miséria e a incrível força para desacreditar em alguma mudança, pois é difícil melhorar quando o pai ou algum outro membro da família está desempregado ou ganha uma quantia muito pequena para uma vida melhor. Não há recursos para construir casas em grande escala, nem há sistema de saúde digno para seu povo. Não há nada a não ser sua família... a não ser a esperança na figura do seu Deus. Em tão pouco espaço se espremem 1,816 habitantes em mais de 822 mesquitas. Onde não há direito a ser livre, como não acreditar em mãos invisíveis? Como ao menos prever que existe vida além do islamismo se tudo o que rodeia é somente uma religião com forte influencia a obediência e ao castigo à aqueles que não seguem as regras? Mais ainda, como não acreditar que a vitória só chegará lutando mesmo que para isso seja preciso morrer?
Você já deve ter visto no noticiário um caso de homens-bomba e já deve ter julgado mesmo que por algum segundo, mas não faz ideia do desespero de um ser humano crescendo com migalhas e aprendendo aos poucos que todos além das fronteiras alimentam ódio por ti. Essa lavagem cerebral criou pessoas que se refugiaram na violência como ponto inicial de mudança e nesse clima surgiu a resistência encabeçada pelo Hamas que hoje é uma das maiores justificativas, se não a única de Israel abrir fogo covardemente contra civis palestinos. Israel grita aos quatro cantos do mundo que está se defendendo mas, caro leitor que chegou até aqui a verdade é que a Palestina nada mais é que uma colonia de Israel que se rebelando vira automaticamente um centro de concentração atual em que homens, mulheres e crianças serão mortas em qualquer momento do dia. Seja no meio de uma das cinco orações diárias, seja em qualquer situação pois não há saídas quando se está encurralado.
Enquanto isso nós estamos assistindo um genocídio pela Tv diretamente de nossos confortáveis sofás onde é fácil ver a submissão nas faces de grandes lideres políticos ao redor do mundo. Mas e você está assistindo? Você ao menos experimentou imaginar a sensação de saber que todos ao seu redor, família, vizinhos, amigos estão sendo exterminados e você não pode fazer absolutamente nada para salva-los ou para salvar a sí? Bem, se te provoquei algum temor agora, fique tranquilo você tem sorte, mas ter sorte não te dá o direito a não se importar.
Nas imagens se repetindo na mídia é visto destroços de construções e corpos pelo chão, corpos estes que transportavam amor, protagonizavam histórias e significavam tanto para alguém. Todo o sangue derramado é mais sagrado que a terra santa de Israel e não há justificativa para a guerra. Nada vale mais que uma vida. Entretanto a ambição humana fala mais alto e um numero cada vez maior de pessoas pagam o preço. Cabe a nós sermos melhores, agirmos como humanistas e praticarmos empatia. Cabe a nós transmitir a aversão a barbárie de matar à quem podemos influenciar, pois assim poderemos prevenir para que nenhuma criança tenha que se refugiar no medo e possa dormir em paz. Depende de nós agir para que a liberdade seja a realidade, não apenas um sonho!


Que fique claro que eu abomino a guerra, mas estou ao lado de uma Palestina livre!


Paz e amor!


Cristina Braga






quarta-feira, 9 de julho de 2014

Cameron Crowe e seu Rock´n Roll na tela grande



Hey dear leitor!

Hoje vou dividir com você um vicio chamado cinema que mantenho desde muito cedo e que me acompanha por toda a vida. Minha paixão é variada indo desde o cinema noir do anos 60 até as inovações (ou seria reinvenções?) do cinema atual. É dessa obsessão pela sétima arte que descubro e conheço diversos profissionais entre eles diretores, atores, roteiristas e me ponho a seguir suas carreiras por me identificar com seus olhares únicos. Uma personalidade desse seleto clube que vem me cativando é o querido diretor oscarizado Cameron Crowe.


                  

O 1° longa metragem que assisti dele foi Vanyla Sky(2001) estrelado por Tom Cruise (ainda vou escrever sobre ele aqui). O filme é estranho, um pouco difícil pela surrealidade da historia, mas com uma trilha sonora invejável com The Rolling Stones, U2, Bob Dylan entre outros. O enredo nos faz refletir sobre a necessidade da perfeição, que é a idealização da nossa época e nos entrega um final impactante. Eu sei que não fui a única a pensar “que porra é essa?”. Entretanto com bela direção, fotografia impecável e sincronia perfeita com a musica me fez ficar tão interessada que fui correndo pesquisar e descobri que o tato diferenciado do diretor não é coincidência em sua vida.



Na imagem acima cena de Vanilla Sky. Na imagem abaixo a capa do LP "The Freewheelin' Bob Dylan do cantor homônimo.

Cameron possui uma vida prodigiosa. Por escrever bem se tornou colaborador no jornal da escola muito cedo e passando alguns anos veio a escrever matérias para a revista Rolling Stones (uau!) em plenos anos 70. Nesse trabalho comum (só que não) teve a oportunidade de entrevistar grandes astros como Bob Dylan, David Bowie, Eric Clapton e os deuses na época Led Zeppelin entre outros. Ficou amigo de bandas e mergulhou no cenário Rock´n Roll. Fan de bandas de Hard Rock tinha que levar essas experiências na bagagem...e levou!


A  maior prova disso é Quase Famosos (2000) filme semi-biográfico que nos apresenta a historia de William(Patrick Fugit), um garoto com uma mãe controladora que conhece o Rock através da irmã mais velha e devido a paixão passa a colaborar para a Rolling Stones. Na trama o garoto vive experiências ousadas para sua idade ao acompanhar a turnê da banda Stillwater (fictícia). São tantos personagens maravilhosos com cenas emocionantes e por vezes cômicas. O destaque fica para a groupie Penny Lane interpretado por Kate Hudson que nos faz querer estar lá e vivenciar aquilo tamanho é a sua força de cativar o expectador. A trilha é marcada por Tiny dancer do Elton John, Sparks do The Who, Thats the way do Led Zeppelin com direito a musicas criadas especialmente para o filme feitos pelo próprio diretor e sua esposa na época, Nancy Wilson da banda Heart.

 Tiny Dancer na cena do ônibus em Quase Famosos.


Outro filme influenciado por sua essência é Tudo Acontece em Elizabethown(2005) sobre um homem que perde tudo e ainda tem que organizar o funeral do pai. Filme lindo pela musica e pelos protagonistas Orlando Bloom e Kirsten Dunst (ela iria fazer a Penny Lane em Quase Famosos, mas o diretor escolheu a Kate para nossa sorte). No filme há diversos momentos em que nos perguntamos se estamos assistindo a um vídeo clipe e novamente o elemento musical toma os holofotes.




Antes desses citados acima ainda houveram Vida de solteiro (1992) que foca num grupo de amigos tendo como pano de fundo a cena grunge de Seattle. Em 1996 fez Jerry Maguire (também com Tom Cruise) sobre um homem que tentar sair do esquema trabalho-dinheiro para tentar viver a sua maneira priorizando a qualidade off selva capitalista e tem que aprender a lidar com o preconceito e a concorrência ferrenha. Fez também o filme Digam o que quiserem (1989) e escreveu o Best Seller que foi parar nos cinemas conhecido aqui no Brasil por Picardias Estudantis (1982).

Especialmente para mim um dos últimos trabalhos atuais mais significantes do diretor foi Pearl Jam Twenty (2011), um documentário sobre os 20 anos do Pearl Jam (hahaha).  Além de ser muito bem feito fica explicito que o diretor e a banda são amigos de longos anos. A amizade na verdade data do inicio dos anos 90 quando os integrantes do Pearl Jam chegaram a fazer figuração no filme Vida de Solteiro. Até as roupas do protagonista desse filme pertenciam na verdade ao Jeff Ament, baixista do PJ.


Cameron ao lado dos integrantes do Pearl Jam


Em 2011 lançou também o longa Compramos um zoológico estreando na linha infanto juvenil que é um bom filme sobre a história real de uma família que passa a administrar um zoo indo a falência. O momento mais marcante fica por conta da cena do bar em que toca "Hunger Strike" da banda Themple of the dog, evanescente projeto de Chris Cornell e integrantes do PJ.


Então é isso, o Cameron criou filmes que criticam o consumismo, a falta de sensibilidade, a insuficiência de tempo para o que é realmente importante. Faz seus personagens falarem com o coração sem lhes acrescentar gotas de cinismo e além das boas historias nos presenteia com a sempre boa mistura de Rock´n Roll e cinema!!!!


O Rock está por toda parte!



domingo, 6 de julho de 2014

Promessas

Nem mesmo o amor que me tem pode me salvar.
Na queda livre que chamam de vida,
não há uma parada ou aula de vôo.
não há absolutamente nada,
nem ninguem.
Se cruzamos nosso olhar,
se dividimos idéias de um mundo melhor,
se ousou ficar ao meu lado...Fuja!
Existe uma bomba relógio em mim,
uma decadência mais viva que eu.
Buraco negro engolindo o universo que sou,
Tem a ver com o lugar que receio visitar,
Ele me chama todos os dias.
Prometí que eu não ficaria por muito tempo e já fazem cinco anos.
Prometí que você ficaría bem e você morreu...
Eu não posso ser salva
Não existe um caminho com flores ou raios de sol.
Nenhum paraíso ou braços estendidos a me esperar,
Não há você mais...
Não aqui quando preciso.
Eu lhe dou meu sorriso,
mas não te mostro meus cortes profundos.
Você não é bem vinda a minha escuridão,
Acabaría iluminando tudo.
Porque teve que ir tão cedo?
Eu mal sabia caminhar sozinha,
Eu mal entendia que temos que abraçar a solidão...
Por todas as vezes que esteve ao meu lado você errou,
pois me fez sentir falta de tudo!
Dos domingos e do pentear dos teus cabelos,
da sua gargalhada alta pela casa
e até da sua valentia desejando proteger todos a sua volta.
Eu sinto saudade
e esse meu choro não te devolve pra mim...
Acabou, meu amor!
Nós nos perdemos para sempre
e cada palavra que escrevo,
cada pensamento que tenho não te alcançará...
Mesmo que eu tenha te prometido que o meu amor te alcançaria.
Se eu pudesse te enviar uma carta não sería essa,
Não haveria raiva ou angustia,
somente amor...
Porque é tudo que você é pra mim.
A personificação mais linda da esperança que partiu em junho.
Eu contaría minhas aventuras
e em vão te perguntaria como estás...
mas eu sei, meu bem
Você é só um delirio meu agora.
É quem eu não pude honrar com minhas promessas!
Quem me faz feliz por uma singêla frase que me vem a mente todos os dias...
Eu não posso ser salva,
mas pouco me importa se viví o infinito quando tive você aqui.


"Eu não sei o que sería de mim sem você aqui me fazendo sorrir nesse hospital" - Dona Nenêm, minha doce mãe. 1945-2009
(Se você não a conheceu, então eu sinto muito por você!)



domingo, 29 de junho de 2014

Acidente

                    Inspirado por três pares de asas

Eu estive aqui...
Aprendi sobre o amor e o desperdício da guerra,
aprendi sobre galaxias e sobre a solidão
e muito daquilo que aprendi veio de você!
Conversamos centenas de vezes,
te convidei para minha conturbada mente,
nós sorrimos e por acidente cativamos uma a outra,
laços foram feitos e hoje somos mesmo sangue a correr em veias diferentes.
As vezes a saudade me faz a visitar no fim dos anos 90...
Ao longe eu vejo a menina delicada a chorar,
tentando entender sua mãe
e depois mergulhando inteira em suas aventuras...
Nós fomos a resistência,
nos unimos para enfrentar pequenas dores e acabamos superando grandes fins.
"-Ainda haveria esperança se não houvesse sua companhia quando o sombrio dia chegou?"
Eu estive aqui...
olhei seus olhos generosos,
Seus cabelos loiros, sua face de anjo e pensei "que mágica sua determinação!"
Contigo entendi que nós escolhemos a família que julgamos merecer,
Somos mãos estendidas ao vazio.
Asas livres para quem não tem equilíbrio.
Nessa linda doação em que consiste viver
ganhei pedaços de seu coração
quando o meu foi partido,
te ofertei meu ombro e minha sinceridade quando você não suportou o mundo
e por tudo que vivemos, eu sei...
Eu estive aqui e sempre vou estar enquanto você estiver!
lagrimas irão secar minha querida irmã.
Os invernos cessarão
e a bondade que me inspirou continuará me fazendo querer mudar o mundo!
Uma jasmin reflete raios de sol em teu lar hoje,
Imagine quão lindos seus jardins vão estar amanhã!
Essa é a época dos pares.
E eu, que melancólica sou
Fito teus olhos e logo encontro
a mesma menina depois de tanto tempo.
Que sorte a minha caminhar contigo num universo tão vasto.
Não haveria de ter um acidente mais lindo...
Que nossa amizade!!!


Com carinho, Cristina


terça-feira, 10 de junho de 2014

Garota Interrompida

Presos numa armadilha do tempo,
indo e vindo em meio ao caos,
tão completamente perdidos,
unidos apenas pelo encontro de nossos lábios sedentos.
Estar com você é o mais perto da realidade que já cheguei
na estranha ironia de saber que somos uma fantasia.
Como ousa ouvir meus silêncios?
Está abrindo janelas na minha escuridão,
por todos os lugares onde estive ninguem me viu realmente
até você chegar e me olhar desse jeito.
Nessa nossa historia confusa eu reconheço...
Desejaría retirar sua dor,
Desejaría merecer uma canção tua.
Me mostra teus erros,
divide comigo a madrugada
que eu desato meus nós,
que eu quase me sinto bem,
penso em te enganar, mas você sente o cheiro das minhas duvidas
e isso me deixa a um passo de sentir paz...
Quisera eu ser calmaria,
Quisera eu andar devagar
mas, eu sou essa garota interrompida
a ferro e fogo seguindo em frente,
mesmo olhar sereno,
mesma mente conturbada,
daqui a alguns dias você notará
que eu nunca paro de fugir
e sobre nosso encontro aos quarenta...
Não vejo como eu chegaria tão longe,
mesmo que eu descansasse meus medos em seus ombros
continuaria a caminhar para o abismo,
é assim desde os oitos anos,
a idade em que descobrí a maldade,
não me arrependo de envenenar tudo que toco,
mas, não tenho a intenção de fazer isso a você.
No fundo eu sei, meu querido...
Você é o melhor que eu nunca merecerei ter.


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Onde está Deus?


    Sentada numa cadeira de um transporte coletivo olho pela janela a paisagem a passar rapidamente. Luzes, cores, homens, mulheres, anúncios de lojas, arranha-céus e eu começo a imaginar como em todos esses lugares ha pessoas que devem ser interessantes, pessoas atravessando a vida de outras todos os dias e elas são exatamente como eu, tão inseguras quanto eu no mistério que envolve a vida.
       Todos estamos querendo ser protegidos por algo ou desejando que o melhor nos espere, mas vivemos com a angustiante duvida de não saber se vai dar certo ou se ao menos chegaremos em casa hoje. Tem gente que prefere não pensar sobre isso, gente que se amedronta com ideias relacionadas ao inferno e teme a Deus, mas o que é Deus? Um ser que nós criamos e o humanizamos e talvez ele deva rir da forma como o vemos, ou deve se perguntar o porquê de sermos tão infantis fazendo d´Ele algo que queremos que seja, mas na minha mente ele não irá rir pois emoções são características humanas, não divinas! 
        Tem crentes fervorosos que torcem para que Ele faça justiça e castigue os impuros, outros morrem em nome da fé porque acreditam que virgens lhe esperam no pós vida e já tem gente que pensa que nós voltaremos para cá de novo...e você o que pensa? Deus te espera com um precioso céu repleto de nuvens e anjos ou te espera pra te mandar para um lugar rodeado por fogo, fedor e Hitler? Não, eu não poderia crer em céu e inferno e também não acredito no seu deus por mais que já tenha buscado essa presença. Hoje o que mais me dói é não conseguir me libertar da difícil tarefa de pedir socorro a ele quando me sinto em perigo. Essa necessidade divina é nos ensinada desde pequenos quando os pais nos fazem rezar antes de dormir para termos bom sonhos, mas... porque depender de Deus? Para ganhar a felicidade? Bem, a felicidade não se consegue e sim se sente aos poucos e diferente do que você pensa todos somos felizes, pois a felicidade é fragmentada e não algo constante, alem disso ser feliz é relativo. Nós crescemos vendo o sonho americano estampado nos filmes de Hollywood, mas ter uma casa, um carro, uma família e uma carreira não é formula de sucesso e sim uma armadilha capitalista. Eu não almejo seguir padrões sociais para me sentir feliz pois sei que uma criança na África pode sentir plenitude por ter conseguido passar mais um dia viva pois conseguiu algo para comer ou porque sei que um homem pode estar feliz por ter recebido o resultado do exame de HIV e deu negativo. Você sabe reconhecer esses momentos significantes na sua vida? Por mais que as outras pessoas não compreendam, só depende de ti sentir quão são preciosos e acredite, cada momento desses é mais lindo que qualquer paraíso!
 Eu não estou aqui para fazer lo questionar sua fé, eu jamais faria isso, pois lhe tenho respeito mas eu gostaria que você refletisse a forma como vê os mistérios da vida. Deus, pode sim existir e eu acredito numa força superior que está por toda parte. Numa gota de orvalho a deslizar por uma folha pode se ver beleza e isso pra mim é onde se manifesta Deus. Há algo de incrivelmente lindo no brilho dos teus olhos castanhos, nos poros da sua pele e em cada célula do teu corpo. Por toda poeira de estrelas do universo se encontra perfeição que dá sinais do divino e ao captar essa percepção notei que nenhuma religião poderia me dar o que preciso porque eu não preciso de mais nada que não dependa de mim e entender isso me fez querer ser alguém melhor e chegamos a um ponto chave: EVOLUÇÃO.



O ser humano vive em média 80 anos e isso nos trilhões de existência do universo é muito breve e nos faz pensar como cada vida é rara e como esses pequenos espaços de tempo precisam ser bem investidos e eu acredito mais que tudo que nós estamos nesse planeta para aprender e nos aprimorar. Fazemos isso quando mergulhamos de cabeça e paramos de tentar fugir dos problemas, quando encaramos que todo sorriso, toda lagrima e toda pessoa em nosso caminho é um meio de aprendizado. Vendo dessa maneira não há motivos para o mal humor ou para nos afundarmos em dor, não ha tempo a perder com aflições a não ser que for para tentar tirar delas algo que nos enriqueça.
         Seja você cristão, budista, espírita, hinduísta ou ateu eu o respeito e o valorizo porque sua diferença complementa minha vida, afinal nós somos mais de 7 bilhões de pessoas no mesmo barco e é necessário remar para chegarmos em terra firme só que como não falamos a mesma língua temos que amar para chegar a uma compreensão!

        Agradeço sua atenção enquanto compartilhei meu pensamento, mas agora tenho que descer na próxima parada... se não nos vermos de novo tenha uma boa vida!

sábado, 5 de abril de 2014

20 anos sem Kurt Cobain



Hoje é um daqueles dias estranhos que você relembra uma data triste, infelizmente eu conheço bem esses dias. O brinde de hoje é ao eterno incompreendido Kurt Cobain que nos deixou exatamente a 20 anos atrás e que provou que a arte vence a mortalidade, pois sua voz continua anos após ter silenciado para sempre. Bem, falar sobre esse mito feito de carne, osso e heroína não é difícil quando se foi um grande admirador da sua musica na adolescência como eu. Mesmo que você não tenha uma vibe grunge, se escuta Rock logo é apresentado a imagem do anti-herói que polemizou com seu jeito cru e amor exagerado pelas pessoas.

O Kurt  é lembrado por todos na adolescência como um jovem tímido que não se encaixava em grupos e sofria bulling, até aí tudo bem, podia ser eu ou você, mas a inspiração incomum e olhar perdido fizeram do estranho jovem de Aberdeen uma lenda que conquista fans até hoje. Uns dizem que a adoração sobre sua persona tem a ver com seu trágico fim, mas sinceramente o instigante vocalista do Nirvana ia ser adorado tendo uma vida prematura ou não. Possuía voz marcante, arranhando durante letras anti moralistas e anti superficiais onde reconhecia defeitos e os exaltava e com isso fez jovens do mundo todo se identificarem.

A  geração que pegou o fim dos anos 80 se sentia cada vez mais sozinhos, vivendo o fim dos grandes espetáculos e perdendo a vontade pelo glamour do Rock acabou achando em "Smells  Like Teen Spirit" um ponto de conforto e concordaram que sim, estavam entediados. O hino a mesmice conquista fans e faz de Kurt um lider invisível cuja sinceridade e doçura misturadas ao fogo e álcool nos fazem obcecados.  Eu sou dessa parcela que faz do grunge vivo alem dos anos 90 e meu encanto não ocorreu somente pelas guitarras distorcidas ou pelo visual, eu me apaixonei por ideais que capturaram meu desanimo capitalista e meu saudosismo por humanidade.

Kurt foi um homem que pouco sobre ser pai e que pouco soube sobre sentir paz. Foram tantos pesadelos e dores que culminou no seu “suicídio”.  Eu adoraria culpar Courtney Love, mas no fundo eu sei  que ele seria corajoso demais para ter apertado o gatilho...afinal é melhor queimar que apagar aos poucos.

 Com carinho deixo com vocês minha canção predileta “Lithium” que é sobre alguém que volta a religião mas que está confuso com seus sentimentos. Muitos dizem que ela revela a bipolaridade que Kurt sofria desde criança, pra mim ela representa a ironia com relação as religiões.



“As maiores loucuras são as mais sensatas alegrias, pois tudo que fizemos
Hoje ficará na memória daqueles que um dia sonharão em ser como nós:
Loucos, porém, FELIZES!”


Kurt Cobain

terça-feira, 1 de abril de 2014

De asas limpas

Nós estamos sempre testando nossos limites e chega um momento que você percebe que alcançou o seu. Nessa vida que busco tanto equilíbrio sinto cada vez mais estar me tornando num imenso paradoxo e não faz sentido algumas pessoas ao redor e novos hábitos adquiridos. Nessa loucura de acreditar que faz bem a gente pode escolher o prazer momentâneo e acabar vendendo a alma. Tudo bem que minha alma não é digna de prêmio Nobel ou medalha alguma, mas é minha e a muito tempo eu percebi  que eu devia enriquece-la e não será com álcool ou qualquer outra droga que edificarei meu ser. Não sou a Janis ao teu alcance nem terminarei minha vida como boêmia por mais que ame a vida noturna. 
Eu sempre soube que precisava de mais, mais umas horas com você para que possamos conversar sobre filosofia ou sobre uma musica que não sai da minha cabeça. Eu adoraria te mostrar como astronomia é fascinante e como Carl Sagan foi um grande homem. Provavelmente seus olhos se iluminariam e nós dividiríamos um momento único, mas que raridade compartilharei com meus amigos se não estiver lá de coração aberto?
Desculpe as magoas provocadas, o egoísmo demasiado e as palavras que poderiam ter sido medidas...palavras das quais não lembro e sinto muito se não lhe escutei a tempo. É que tenho obsessões estranhas e uma delas se chama liberdade, mas entendi que vícios aprisionam mais que pessoas.
Hoje no caminho até aqui ouvi Kurt dizer “me deixe limpar suas asas sujas” e pensei “onde estão as minhas? Onde está quem sorria meio tímida, quem defendia com argumentos a ideia de algo melhor?." Vou é tratar de limpa-las e levantar voo de uma vez!


"Meu bem, você é doce demais para o Rock´n Roll"
Quase Famosos

Eu sei bem que contenho algo bom, mas também sei que meu caminho é na contramão, pois o comum me dá sono e no Rock enxergo vida. Citando Kurt mais uma vez digo "querer ser outra pessoa é uma completa perda de tempo da pessoa que você é"
...

Esse mês faz 20 anos sem o ídolo grunge e aqui neste singelo blog será decretado tributo!



sexta-feira, 28 de março de 2014

Universo


Estrelas despertam meus sonhos
Infinitos se fundem na escuridão.
Nós imperceptíveis na grandeza do universo
e até mesmo sua insignificância significa tanto...
Somos poeira estelar
Nascendo do desgaste de seres celestes
Gravitando a buscar companhia...
no planeta Terra em que humanidade falta.
Sua presença faz falta!
Cruzaria galáxias, mas voltaria se assim quisesses,
Um dia se julgar estar só me encontre em tuas lembranças,
Me toque novamente e refaça as falas
Nesse filme prestes a acabar nós nos desencontramos centenas de vezes.
Uma vida ou somente um amontoado de dias?
Sei que ainda estamos a nos ver pela primeira vez nesse instante,
esse momento acontece incessantemente nessa minha maneira de acreditar no tempo
e mesmo que você vá para anos luz de mim,
minha pele guardará tuas impressões,
revisitarei os momentos em silencio
e nós voltaremos a vida refletidos em impulsos elétricos...
Enquanto dividimos o agora feito um sopro.
Te compreendi em meio ao caos de nossas mentes.
Eu que o desejei perto e desejei longe,
Estou prestes a virar pra não ter que vê lo partir...
Mude de planeta, mude de mim
Mude de ideia e de valores,
só não mude o olhar destemido,
pois foi por ele que me apaixonei
que eu divido contigo uma descoberta...
Mesmo que sejamos extintos, mesmo que Andrômeda se colida a Via Láctea
Por trilhões e trilhões de anos na vastidão do universo:
Não existe desastre!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Do faroeste da Legião até a Veronica do Harmônico


Eu conheci o Rock pelos sons desafinados na sala quando meu irmão começou a fazer um curso de violão. Além das suas tentativas musicais vieram revistas de cifras onde pude ser apresentada ao Rock Nacional e até mesmo ao Pearl Jam (folheando uma dessas encontrei a musica "Last Kiss" que na verdade foi um cover que a banda gravou em 1999). Um dos momentos cruciais foi quando o Roberto(brother) chegou um dia com a fita k7 do Raul Seixas que era nada menos que a gravação do álbum "Eu Nasci a 10 mil anos atrás" de 1976. Foi o inicio do coração acelerar por musica e por João de Santo Cristo que me deixava triste por eu não conseguir salva-lo de sua vida miserável e que mesmo em meio a impotência me fazia voltar a "Faroeste caboclo" da brilhante Legião Urbana.
 
 
 
Mais tarde no Osires Pontes (colégio da minha vida) eu escutava nos intervalos entre as aulas minha amiga Adriana contar as historias mais fascinantes dos festivais de Rock da praia de Iracema, eu que não podia ir ficava ao menos cantando com ela sucessos nacionais. Na minha sala sentava o Vandemberg (futuro adorador de New Metal) e através dele fui apresentada ao Jerson, o amigo tímido que trouxe o Nirvana para minha vida e assim finalmente eu achei uma obsessão que conseguiria alimentar, uma vez que o Jerson possuía varias revistas e cd´s. Ouvir o som da banda de Seattle era impactante e observar os fios loiros cobrindo os olhos apáticos do vocalista era como admirar o trágico. Estranhamente o grunge me acolheu talvez pela tristeza ou pela sinceridade e eu mergulhava em “Lithium” como se pudesse sentir a paz que essa droga causava as dores de Kurt Cobain.


Foram anos de empréstimos que o Jerson devia odiar, mas eu compensei indo a festivais para ver a Paradox, banda que ele criou junto do Vandemberg, Paulinho e Wellington. Nessas idas conheci o Wesley e o Diego, futuros grandes amigos. Foram algumas bebedeiras e musicas de Hardcore a preencher aqueles dias. Entretanto a próxima estrofe da minha vida traria algumas mudanças como responsabilidades e traumas que me fizeram seguir a diante me motivando a me exilar desses amigos, mas fiz questão de levar comigo a Pitty, Evanescence, Foo Figthers, Green Day, Blink 182 e outros artistas que comandavam as paradas das rádios.

Minha sensibilidade para o Rock ficou anestesiada até que anos depois num sábado a tarde eu mudando o canal da TV encontrei imagens de festivais dos anos 90 de jovens com camisas de flanela e cabelos cumpridos se reunindo em grupo. Imediatamente eu estava situada em Seattle e naqueles 120 minutos eu ouvi pessoas como Chris Cornell, Kurt e integrantes de uma banda que me marcaria para sempre. Estava sendo exibido o documentário Pearl Jam Thwenty que conta sobre os vinte anos da banda que estranhamente possuía uma musica nas primeiras revistas do meu irmão e que eu nunca havia procurado escutar até então. Quando Eddie Vedder explicou o motivo de ter escrito “Alive” eu senti como se não precisasse de mais nada. Com eles mergulhei no grunge pela segunda vez e permiti que minha vida vibrasse ao som do Rock´n Roll.
 
 
 
A sensação de plenitude veio ser posta a baixo ano passado quando estive presente na inauguração do Espaço Panela Rock Cunder. Ironicamente Harmônico Vulgar ia se apresentar e eu instantaneamente achei “Veronica” uma grande canção. Ela não me fez querer morrer como sua letra promove ao desolado autor, mas me fez perceber que o Rock autoral é lindo e digno de ser cultuado. Ouvir uma banda em outro continente promove aprendizado mas não significa tudo. Eu percebi que eu precisava de mais e esse plus está na cena independente. Ouvir musicas no fone de ouvido ou no quarto não promove experiências palpáveis e não estou dizendo que os ídolos não são reais. Só quero lembrar que não existe nenhum deus na musica (desculpe, adoradores dos deus do metal), a musica que ele toca também pode estar sendo produzida no seu bairro de uma forma até mais inovadora e basta apenas ir aos festivais com o desejo de conhecer o novo.
Há bandas com qualidade que estão fazendo sua historia agora e você ao invés de assistir por um documentário, pode fazer parte dela... É o caso da The Good Gardem fazendo 10 anos e é o caso de tantas outras que merece atenção!

 


 
 Foto: Harmônico Vulgar e The Good Gardem respectivamente.
 
 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Cacos Espalhados



Inspirado por um anti-herói underground.

 
Ouvi você dizer que nunca irá morrer,

Sua convicção quase me convenceu.

Ah menino, como ousa respirar rebeldia?

Decidiu ser jovem para sempre,

me fez querer te seguir na mesma perdição.

Desde que cuspiu honestidade em nossos olhos,

você limpou a cegueira que havia.

Despertou o ódio de heróis,

desorganizou as palavras e as parou no tempo.

Me diz porque o desejo pelo fim.

Não vês quão lindo és o infinito?

Maquinaria de resenhas.

Levando vinho até a boca devagar.

Não saberia dizer dez coisas que odeio em ti,

Pétalas cairiam do céu se eu mentisse.

Pendurei nossa amizade na parede,

e nenhum passo em falso poderá quebra-la.

Me acompanhe pelas fugas,
 
me conte sobre a sujeira e a distorção das guitarras.

Eu ficaria mais pra ouvir...

Mas tenho que reencontrar um garoto,

Lá onde as noites eram preenchidas com bebedeira e sorrisos,

do punk ao grunge com fúria,
 
da energia inesgotável de um escritor marginal,

bem antes da classe e da serenidade...

Antes até do cansaço e da gentileza.

Na época em que éramos outros.

Hoje te faço um elogio,

Tua reação me faz sorrir...

Nesse instante claramente eu vejo,

lá está quem é admirado por todos!

Aquele que viverá para sempre...
 
E o resto são cacos espalhados pelo chão.
 
 
 
Foto: Um jovem Kurt Cobain

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O que eu quero é THE SMITHS

Hey caro leitor, eu pensei bem sobre as postagens desse singelo blog e decidi que a partir de hoje não apenas me expressarei através dos meu textos como também vou compartilhar aqui alguns achados como filmes, bandas, musicas, teorias que envolvem espiritualidade, comportamento ou qualquer obsessão nova que eu tenha adquirido. De principio eu poderia falar sobre os mais diversos assuntos, mas eu não iniciarei falando de Pearl Jam (bem que eu queria) pelo menos hoje não, estou numa vibe mais introspectiva e gostaria de dividir com vocês a deliciosa sensação de ouvir The Smiths. Ok, não me crucifiquem se não sou fan de carteirinha, nem me venham com esse lance de poser. A questão é que a primeira vez que me dei conta dessa banda cultuada foi através do filme 500 dias com ela (se não assistiu, vale a pena!) porque exatamente na 1° vez que os protagonistas se encontram o Tom (Joseph Gordon-Levitt)  está no elevador ouvindo uma musica no fone de ouvido e a Summer (Zooey Deschanel)  entra, reconhece a musica e dispara: “The Smiths? Eu amo The Smiths. Você tem bom gosto musical” e sai.



Por mais que a cena do filme tenha me marcado e me feito colocar "Please, Please, Please Let Me Get What I Want" no setlist do meu celular, acabei deixando de lado o interesse em me aprofundar no som dos caras até que nesse fim de semana assisti outro filme que sinceramente, eu não tinha muitas pretensões até me apaixonar pelo Charlie (Logan Lerman) protagonista do longa As vantagens de ser invisível (filme que faz refletir e promove uma viagem musical interessante). Bem, o tímido Charlie tem como banda preferida os ingleses do The Smiths e vai além elegendo "Asleep" como sua canção favorita. Dá uma conferida nas frases marcantes dessa musica:

"Cante pra mim
  Cante pra mim
  Eu não quero mais acordar
  Sozinho
  Não se sinta mal por mim
  Eu quero que você saiba
  Do fundo do meu coração
  Eu realmente quero ir"
 
Bem a questão é, sim a banda tem um som melancólico e suas canções podem ser taxadas como tristes, mas foda-se nem toda banda tem que tocar para o baile de mascaras que estamos cansados de ter que participar. Só que não dá pra generalizar pois nem só com baladas eles preencheram seus álbuns, tem melodias que nos fazem querer dançar sim. As letras são inteligentes e delicadas com maior climão noir, mas que de alguma maneira nos faz querer fechar os olhos, aumentar o volume e desaparecer. Se você não consegue sentir musicas mais lentas então beleza, é porque não é a sua, mas vale a pena viajar ao som dos caras.

 
A banda surgiu no inicio de 1982 com Morrissey (vocal e maestro da cultura pop), Johnny Marr (guitarra e arqui-inimigo posterior do Morrisey), Andy Rourke (baixo) e Mike Joyce (bateria) e por vários desentendimentos ao longo da carreira entre Morrissey e Marr a banda separou-se em 1987. Contando com uma vida criativa curta, mas importante o bastante para se tornar ícone e marcar gerações com verdadeiros hinos ingleses tais como "The queen is dead" canção que também é titulo do 3° álbum de 1986. Foram muitas letras criticando a politica, os costumes e a hipocrisia da época que venhamos e convenhamos ainda são atuais, afinal muitos dos valores dos anos 80 permanecem até hoje só que numa versão deteriorada. Além da rebeldia e sutileza dos acordes não posso fazer propaganda enganosa e afirmar que a maioria das letras não eram love songs, pois eram sim, perfeitas para virarem trilha sonora de muitos corações partidos.


Eis uma banda que soube brincar com a cultura pop fazendo propaganda clara do avesso dessa vertente, brincadeira essa estampada nas capas de seus discos onde fizeram questão de por fotos de artistas mais "undergrounds" ou fotos de desconhecidos, apesar de que deu até pra colocar uma com o Elvis. (quem é esse tal de Elvis?)


O ator Colin Campbell no filme The leather boys (1964), capa do single Ask (1987)
 


Para quem gosta de vez em quando em dar um refresh no setlist fica a dica super válida.

Hoje eu quero The Smiths e você o que quer? Já parou pra pensar sobre isso?

"Então por favor, por favor, por favor,
Me deixe, me deixe, me deixe
Me deixe ter o que eu quero
Dessa vez
Não tenho tido sonhos há um bom tempo"
Please, Please, Please Let Me Get What I Want